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ZEBRA CHINESA

O júri surpreendeu a todos - jornalistas e público, que torciam por 'The Queen', de Stephen Frears - e escolheu como vencedor do Leão de Ouro deste ano o filme chinês 'Still Life', de Jia Zhang Ke. A cerimônia de entrega dos prêmios aconteceu na noite de sábado, no Palácio do Cinema.

O mais curioso é que 'Still Life' foi o último título a entrar para a competição, já com o festival a todo vapor, quarta-feira passada, no espaço reservado ao 'Filme Surpresa', que só é revelado no dia da projeção.

A atriz Catherine Deneuve, presidente do júri deste ano, entregou pessoalmente ao jovem diretor chinês, que já participara da competição de Veneza três vezes antes.

Mas o favorito 'The Queen' não saiu de mãos abanando: levou a Taça Volpi de melhor atriz, para 'dame' Helen Mirren, que interpreta a rainha Elizabeth II no filme de Frears, e de melhor roteiro.

Outra surpresa da noite foi a escolha do melhor ator, que recaiu sobre o galã americano Ben Affleck, que interpreta George Reeves, ator que durante dois anos vestiu a capa do Superman no famoso seriado de TV dos anos 50, no longa-metragem 'Hollywoodland'. Affleck já tinha voltado para os Estados Unidos e agradeu ao prêmio por intermédio de um texto SMS.

O veterano diretor francês Alain Resnais ficou com o Leão de Prata de melhor direção.

Nós, brasileiros, que competíamos na mostra paralela Horizontes, como 'O Céu de Suely', de Karim Aïnouz, ficamos a ver navios. Quem sabe ano que vem?




Carlos Heli de Almeida
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MANTENDO A REALEZA


Anne em 'O Diabo Veste Prada'

Anne Hathaway cansou da imagem de Cinderala moderna. “Passei cinco anos da minha vida sendo reconhecida apenas como Mia, a plebéia que se torna herdeira de um império na série de filmes ‘O Diário da Princesa’. Neste sentido, minha participação em ‘O Segredo de Brockback Mountain’, do Ang Lee, foi decisiva. Quero diversificar a carreira, ser reconhecida por outros papéis mais sérios”, contou a jovem atriz novaiorquina de 23 anos ao Ego.

Anne passou por Veneza para promover ‘O Diabo Veste Prada’, comédia que satiriza o mundo da moda, no qual contracena com a veterana Meryl Streep. “Ela é a essência de tudo o que uma boa atriz deseja ser”, elogiou a jovem.


Carlos Heli de Almeida
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A BELA E O FERA

Como era de se esperar, o diretor Manoel de Oliveira não escapou da inevitável pergunta sobre a ausência de Catherine Deneuve em ‘Belle Toujours’, seqüência de ‘A Bela da Tarde’ (‘Belle du Jour’), de Luis Buñuel filmado em 1967. Mas o cineasta português, talvez o mais idoso ainda em atividade – completa 98 anos em dezembro – saiu-se como um lord: “Não me incomodo com o fato de Chaterine ter rejeitado o meu convite para este filme, queu considero uma homenage. A presença dela na história talvez dizesse que o filme resultasse em algo totalmente diferente. O melhor é que Bulle Ogier, que a substituiu, fez um trabalho magnífico”, disse Oliveira durante a coletiva de imprensa de ‘Belle Toujours’, realizada hoje de manhã.


Carlos Heli de Almeida
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METROSSEXUAL


Clive Owen, imaginem, foi o único ator entre os tantos convidados estrangeiros desse ano que pediu a assistência de um cabeleireiro e uma manicure durante sua permanência em Veneza. O astro de ‘Children of Men’, de Alfonso Cuarón, que compete pelo Leão de Ouro, pode se gabar de ser “um homem de família comum”, mas demonstrou ser um dos mais vaidosos deles.


Carlos Heli de Almeida
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BELA INDIGNADA



Bulle, Oliveira e Piccoli no set de 'Belle Toujours'

Catherine Deneuve ficou intrigada quando soube que o diretor português Manoel de Oliveira estava desenvolvendo uma continuação para ‘A Bela da Tarde’ (‘Belle de Jour’, 1967). No clássico de Luis Buñuel, a atriz francesa, hoje com 62 anos, intepreta uma mulher que só consegue se relacionar intimamente com o marido, um médido, depois de algumas sessões de sexo masoquista....com o melhor amigo dele.

Oliveira chegou a convidar a atriz para repetir, quase 30 anos depois, o papel de Severine, a burguesa que satisfazia suas perversões com Husson, vivido por Michel Piccoli, em quartos de hotel de Paris. A atriz elegantemente recusou a proposta - a atriz foi substituída por Bulle Ogier.

Bom, o caso é que a suposta seqüência de ‘A Bela da Tarde’, baticada como ‘Belle Toujours’ (ou ‘A Bela de Sempre’) fez sua estréia aqui em Veneza, na mostra Horizontes, no ano em que Catherine é presidente do júri da competição principal. Perguntada se iria assisti-lo, a atriz afirmou que sim, mas que iria fazê-lo com os dois pés atrás, porque achava “desnecessário” mexer com uma obra-prima aquela. Vamos ver o que Oliveira tem a dizer sobre sua idéia de explicar as motivações psicológicas dos personagens de ‘A Bela da Tarde’ amanhã, na coletiva de imprensa do filme.


Carlos Heli de Almeida
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ERA UMA VEZ UM FAROESTE


'Summer Love' recria faroeste na Polônia

O ‘western’, gênero essencialmente americano, é homenageado por duas produções da seleção oficial do Festival de Veneza. Ele é inteiramente recriado – nas características dos personagens, nos cenários – pela produção polonesa ‘Summer Love’, de Piotr Uklanski, que tem o galã americano Val Kilmer como codjuvante de luxo. O diretor, um estreante no longa, defende-se dizendo que seu filme não é uma mera cópia, mas “uma tentativa de produzir um produto cultural específico (um faroeste) em um contexto estrangeiro (a Polônia).

Já ‘Exiled’, do diretor chinês (de Hong Kong) Johnny To, é um thriller de ação moderno, sobre uma ajuste de contas entre gangster na Macau de hoje, paga tributo ao gênero consagrado por cineastas como John Ford e Sam Peckinpah. Dois filmes deste último são literalmente ‘citados’ entre as muitas seqüências de tiroteio coreografados de ‘Exiled’: ‘Pat Garrett & Billy the Kid’ e ‘Meu Ódio Será Tua Herança’.


Carlos Heli de Almeida
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ESTILO 'PERSOL'


A cada ano que passa, os prêmios paralelos se multiplicam em Veneza. A exemplo da Gucci, que entrega o seu amanhã à noite, a Persol, marca de óculos e acessórios do gênero italiana, está convidando a imprensa para a cerimônia do prêmio Estilo Persol, na manhã de sábado. A honraria é dedicada ao diretor cujo trabalho tenha se destacado durante o festival de cinema com um filme que “incorpore os valores da autêntica tradição artesã da Itália”. O que eles querem dizer com isso? Menor idéia. Entre os membro do júri encarregados de decifrar o enigma está o ator italiano Alessandro Gassmann.

Carlos Heli de Almeida
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O FAVORITO DE TODOS


Estamos a dois dias do encerramento do festival – os vencedores serão conhecidos na noite de sábado – e ‘The Queen’, de Stephen Frears, continua na liderança dos favoritos tanto da crítica italiana, quanto do público, segundo a versão diária da revista ‘Ciak’. O filme recria os sete dias que seguiram à morte da Princesa Diana, em agosto de 1997, quando a frieza da Família Real em relação à tragédia quase levou o Reino Unido a uma revolução.

O júri da crítica da ‘Ciak’ é formado por 10 profissionais de diferentes jornais do país. O júri do público é composto por dez leitores, escolhidos aleatoriamente. Dentro de uma escala de 5 estrelas, ‘The Queen’ mereceu apenas uma cotação máxima e quatro outras de quatro dos jornalistas. O público foi mais receptivo ao filme dirigido por Frears e estrela por Helen Mirren: um voto de cinco estrelas e cinco votos de quatro.



Carlos Heli de Almeida
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NEM ELA ENTENDEU...


Laura no filme de Lynch

O diretor americano David Lynch fez, mais uma vez, um filme quebra-cabeças. ‘INLAND EMPIRE’ (o cineasta exige que o título de seu novo longa seja escrito em letrar capitulares) é uma das obras mais impenetráveis do autor de ‘Cidade do Sonhos’. Mais uma vez, Lynch usa combina sonhos e delírios para narrar a colisão da trajetória de uma atriz de Hollywood e seu duplo, que viveu em outro período de tempo.

Ao longo da narrativa labiríntica, sobre a qual nunca fica claro o que é realidade, fantasia ou cinema (há um filme sendo realizado dentro do filme), o diretor vai misturando alegorias e personagens grotescas comuns de seu universo. A trama é tão obscura e complexa que deixou sua protagonista, Laura Dern (atriz fetiche do diretor, com quem já rodou ‘Veludo Azul’ e ‘Coração Selvagem’), atônita.


Carlos Heli de Almeida
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PRÊMIO GUCCI

Falando em moda, sexta-feira, dia 8, o Palazzo Grassi, em Veneza, servirá de palco para a entrega do prêmio de cinema oferecido pela grife Gucci. Estão brigando pela honraria o música australiano Nick Cave, pelo roteiro de ‘The Proposition’, dirigido por John Hillcoat, a atriz Helena Christensen, por sua atuação em ‘Alegro’, de Christoffer Boe, Gregory Colbert, pela direçãoe pelo roteiro de ‘Ashes and Snow’, Douglas Gordon e Philipe Parreno, pela direção de ‘Zidane, un portrait du 21e siècle’, documentário sobre o jogador de futebol francês, e Alain Robbe-Grillet, pela direção de ‘C’est Gravida Qui Vous Appelle’.

O júri é tão chique quanto a marca: o ator Jeremy Irons, o estilista Alexander McQueen, o DJ, músico e produtor musical Moby, a atriz italiana Alessandra Mamis e Marco Müller, diretor artístico do Festival de Veneza.


Carlos Heli de Almeida
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